CULTUANDO A DEUS NO MONTE






Êxodo, 3.12 “Assegurou-lhe Deus: Eu estarei contigo! Esta é a prova de que Sou Eu quem te envia: quando fizeres o povo sair do Egito, vós prestareis culto a Deus neste mesmo monte”. 



A primeira referencia ao culto, claramente citada nas Sagradas Escrituras (KJA), está em Exodo 3.12, e está diretamente associado ao local onde se cultua. Culto e “Lugar de Culto” é uma dualidade bíblica. Jesus diante da mulher samaritana abordou esta questão: 



João 4:21 “Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o pai.” 



Desta forma, está abordagem do significado do culto bíblico, é segundo a perspectiva do monte, isto é, do lugar do culto. 



Ora o lugar do culto é o corpo, o templo do Espírito Santo (1 Co 6.19). Se o homem tem um corpo santificado, cultua a Deus neste corpo, se tem um corpo escravizado pelo pecado, cultua o Mal, em um corpo carnal e pecaminoso. Veja o que a Escritura diz: 



Romanos 6:17,18 “Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.” 



Para esclarecer está idéia, lança-se a luz do conhecimento das árvores. Existem basicamente dois tipos de árvore, no que tange a vontade humana: a Árvore da Vida, do Desejo segundo a vontade de Deus (Pv 13.12) e a Árvore do Conhecimento do Bem pelo Mal, da Cobiça segundo a carne pecaminosa (Gn 3.6, 1 Jo 2.16). Da mesma forma, há dois montes de culto, o Sião e o Sinai. 



MONTE DA ESCRAVIDÃO: SINAI 

Êxodo 12:25 “E acontecerá que, quando entrardes na terra que o SENHOR vos dará, como tem dito, guardareis este culto.” 



A palavra referente a expressão “culto” no original hebraico é “עֶבֶד”, “abad”, servir, cuja origem é de uma raiz primitiva, com o sentido de trabalhar, servir, escravizar, usado com o sentido de “manter em cativeiro”, “serem escravos”, e em Exodo 12.25-26, 13.5, a palavra é “abodah”, “serviço”, escravidão, escravo, trabalho, ministração. 



O Monte Sinai refere-se a uma cadeia de montanhas da Arábia, na península do Sinai. Este monte refere-se as cadeias de escravidão da carne pecaminosa (leia Gl 4.24,25), chamado de "monte palpável" que fez Moisés e o povo tremer  (Ex 19.16, Hb 12.21) que se contrasta com o Monte Sião (Hb 12.22). Não importa a referencia textual do culto, se no antigo ou novo testamento, o culto do Monte da Escravidão pode estar em qualquer parte da Bíblia, por exemplo:


Gálatas 4:24,25 “o que se entende por alegoria; porque estes são os dois concertos: um, do Monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém que agora existe, pois é escrava com seus filhos.” 



Atos 7.42,43 “Mas Deus se afastou, e os abandonou ao culto (latreuó) das hostes do céu, como está escrito no livro dos profetas: Porventura me oferecestes vítimas e sacrifícios por quarenta anos no deserto, ó casa de Israel? Antes, tomastes o tabernáculo de Moloque e a estrela do vosso deus Renfã, figuras que vós fizestes para as adorar. Transportar-vos-ei, pois, para além de Babilônia.” 



Em Atos 7.42, culto é “latreuó”, definindo servir, especialmente a Deus, ou adorar, de “latris”, um empregado contratado. Este verbo está associado a adoração a Deus mas no caso, aplicado a idolatria de Israel com outros deuses ao longo da sua história, especificamente até antes do cativeiro babilônico (At 7.42, 43). 



Acompanhe Atos 17.19, 23: 



“E, tomando-o, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas? Porque, passando eu e observando os objetos do vosso culto (Σέβασμα), encontrei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais sem o conhecer, é o que vos anuncio.” 



O Areópago é o nome de um monte rochoso e estéril, a noroeste da Acrópole, na antiga Atenas, Grécia, este monte é tipo do Monte da Escravidão. 



"Σέβασμα", “sebasma”, veneração, de “sebazomai”, define um objeto de adoração; algo adorado, um deus ou altar. Retrata a idolatria ou politeísmo grego em Atenas, uma das principais cidades gregas. 



"ρρησκεία", “threskeia” de “threskos”, é reverência ou adoração aos deuses, expressa em atos rituais, este termo é usado para culto aos anjos: 

Colossenses, 2.18 “Ninguém atue como árbitro contra vós, afetando humildade ou culto (ρρησκεία) aos anjos, firmando-se em coisas que tenha visto, inchado vãmente pelo seu entendimento carnal” 

MONTE DA LIBERDADE, SIÃO 

Hebreus 12:22 “Mas chegastes ao Monte Sião e à cidade do Deus vivente, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos” 

Gálatas 4:26 “Mas a Jerusalém que é de cima é livre, a qual é mãe de todos nós” 

O Monte Sião representa o monte de todos os servos de Deus, o Monte da Liberdade (leia Gl 5.1,13, Tg 1.25, 2.12). Antes estávamos em um só monte, unidos em um só corpo, em Deus (Gênesis 1 e 2, Ef 2.16). Com o pecado, o corpo tendeu por dois caminhos diferentes: o caminho da morte pela prática do pecado, e o caminho da vida pela obediência a Deus. Dois caminhos, dois montes, o Sinai, e o Horebe, também dois tipos de cultos. O Monte Horebe confunde-se com o Sinai e há controvérsias se são de fato o mesmo monte. Suas diferenças não se dão só por razões etimológicas e idiomáticas, suas semelhanças figuram a dualidade da vontade humana no corpo: para o Bem ou para o Mal (as duas árvores). O Monte Horebe é o Monte de Deus (Ex 3.1, 1 Rs 19.8) e o Monte Sinai, o Monte da Escravidão (Gl 4.24,25). Há duas leis, uma dada no Monte Horebe, os dez mandamentos (Dt 4.10,13), associados a vida eterna (leia Mc 10.19, Lc 18.20) e outra no Sinai (Ex 19.1), associado a morte (Ex 19.13, Hb 12.20). Há também duas leis para o corpo, a do Espírito de vida e a do pecado e da morte (Rm 8.2). Há uma semelhança entre os montes, mais há uma diferença eterna, tal como a vida difere da morte. 


Deus prometeu estar com Moisés no Monte Horebe (Ex 3.12). Horebe significa deserto. Da mesma forma Deus promete estar com todos os seus, nascidos da água e do Espírito, nas peregrinações do deserto da nossa caminhada nesta terra (Mt 28.20, 1Pe 2.11). Etimologicamente, o Monte Horebe e o Monte Sião tem a mesma significação, sendo que o Monte Horebe é percurso, e o Sião é destino (Hb 12.22).



A palavra “sebomai” “σέβομαι” , em Atos 18.13, é reverenciar, adorar: 



Atos 18.13 “dizendo: Este persuade os homens a render culto (σέβομαι) a Deus de um modo contrário à lei.” 



A palavra "λατρεία", “latreia” significa “serviço prestado a Deus” ou “adoração” de “latreuo”; ministração a Deus, ou seja, adoração. Acompanhe o uso desta palavra neste versículo: 



Romanos, 9.4 “os quais são israelitas, de quem é a adoção, e a glória, e os pactos, e a promulgação da lei, e o culto (λατρεία), e as promessas” 



O tipo de culto a ser aceito por Deus é “em Espírito e em verdade”, em verdadeira sinceridade (Jo 4.23), e racional, “λοικικό”, “logikos”, razoável, com o raciocínio, entendimento (Rm 12.1). Tal culto tem um lugar, o corpo, o Monte de Deus, "a terra santa" (Ex 3.5, Mt 13.8, Mc 4.20, Lc 8.8, At 7.33), que age segundo a inclinação do corpo vivificado pelo Espírito Santo (Rm 8.11). Jesus disse: “(...) crê-me que a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o pai” (Jo 4.21), verdadeiramente, fazemos o culto e somos o lugar do mesmo:



Romanos, 12.1 "Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional (λοικικό)."



Finalmente, quando passar o horebe, o deserto das nossas próprias lutas e tribulações no corpo, virá o Monte Sião, o corpo de glória de todos os seus aperfeiçoados: 

Isaías 24:23 “E a lua se envergonhará, e o sol se confundirá quando o SENHOR dos Exércitos reinar no Monte de Sião e em Jerusalém; e então perante os seus anciãos haverá glória.” 

REFERÊNCIAS 

Nova Concordância Strog Exaustiva 

Bíblia King James Atualizada
Bíblia Almeida
Bíblia de Estudo Pentecostal

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Autor: Gabriel Francisco da Silva Bezerra
27 de julho de 2018